Mais
de 3 mil estudantes se encontram em Montevidéu para o 16º Congresso
da Organização Continental Latino-Americana e Caribenha de Estudantes
(Oclae). Na ocasião o jornal La República publicou um artigo em que comenta as ameaças sofridas pela líder estudantil Camila Vallejo (foto) e saúda os delegados provenientes de toda a América Latina e Caribe. O Congresso se desenvolve até o domingo, dia 14.
“A
repressão contra os estudantes chilenos não só foi feita pela
polícia, mas agora estão amedrontando pelo Twitter a líder Camila
Vallejo. Um usuário apelidado como @el_yorchi divulgou dados pessoais
da dirigente estudantil, como seu endereço, número de telefone, que
rapidamente foram retuitados por várias contas, entre elas
@derechatuitera.
O
massivo repúdio da comunidade fez com que @derechatuitera tivesse de
pedir desculpas e que os pais da líder dos estudantes interpelassem
instâncias judiciais para buscar proteção do assédio.
Porém,
algo mais grave aconteceu quando uma funcionária do governo de
Sebastian Piñera, Tatiana Acuña Selles, secretária executiva do Fundo do
Livro, ligado ao Ministério da Cultura, pediu literalmente a morte de
Vallejo em sua conta de Twitter. “Se mata a la perra y se acaba la
leva” escreveu a funcionária em sua conta @Tati_Acuna”.(1)
Até
agora a informação da imprensa dos últimos dias, que mostra a
gravidade da situação chilena, onde a direita perde o sorriso falso do
presidente Sebastian Piñera, cujo período de governo se transforma
crescentemente em uma imagem muito semelhante ao obscurantismo de
Pinochet.
Por
sua vez, o senador Carlos Larrain, presidente de Renovação Nacional
(direita), disse que o movimento pela educação é de “subversivos
inúteis”. Ele usou esta categoria, inclusive para definir alguns
parlamentares do atual Congresso.
“A
qualificação de seres humanos de ‘subversivos inúteis’ abre as portas
para o ataque direto e a agressão física. A lógica é clara: os
inúteis não servem à sociedade, logo é melhor que não existam; já os
subversivos querem terminar com a paz do país, portanto sua existência é
nefasta”, afirmou na Rádio Cooperativa do Chile o colunista Juan
Pablo Letelier, que indignado com estas declarações reclamou: “Devemos
banir a desqualificação e a desumanização de quem pensa diferente. O
Chile não quer voltar a tempos obscuros e a direita deve entender que
sua nostalgia por essa época [a de Pinochet] é inaceitável.”
Não
se deve crer que esta radicalização dos estudantes chilenos, que não
ocorre em outros países da região, seja produto apenas de fenômenos
autóctones, como a educação chilena – tanto pública como privada –
baseada no lucro, mas que pode estar mostrando um “cansaço” das novas
gerações com o discurso e as propostas dos mais velhos.
Este
cansaço, no caso chileno, não é apenas com as heranças da política de
Pinochet, mas também com os governos moderados e progressistas do
Concertación.
Tudo
indica que estamos em um momento em que a América Latina necessita de
um encontro das forças progressistas com as desanimadas gerações
juvenis, para que o processo de transformações se aprofunde sem fraturas
no bloco social de mudança. E os estudantes são uma força
imprescindível dessa mudança. Por isso, é saudável a realização de novo
em Montevidéu do 16º Congresso Latino-Americano e Caribenho de
Estudantes, convocado pela Organização Continental Latino-Americana e
Caribenha de Estudantes (Oclae).
Bem-vindos, estudantes da América Latina e do Caribe, para ficar em volta do Chile e seus estudantes!
(1)
Nota da tradução: Com esta frase, a funcionária sugere que matando a
líder, a quem chamou de cachorra, as mobilizações estudantis iriam
cessar. O ex-ditador Augusto Pinochet usou a mesma frase referindo-se ao
presidente Salvador Allende quando lhe propôs transporte aéreo para
qualquer lugar do mundo que desejasse.
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